CÓDIGO CIVIL
Lei Nº 10.406, de 10 de Janeiro de 2002.
Artigo 963
O privilégio especial só compreende os bens sujeitos, por expressa disposição de lei, ao pagamento do crédito que ele favorece; e o geral, todos os bens não sujeitos a crédito real nem a privilégio especial.

962
ARTIGOS
964
 
 
 
Resumo Jurídico

Artigo 963 do Código Civil: O Contrato de Seguro e a Boa-Fé

O artigo 963 do Código Civil trata de um princípio fundamental nas relações de seguro: a boa-fé. Ele estabelece que, em caso de sinistro, o segurado tem o direito de receber a indenização integral, mesmo que tenha havido alguma falha ou omissão sua em relação às obrigações contratuais.

No entanto, essa garantia não é absoluta. A lei impõe uma condição crucial: a falha ou omissão do segurado não pode ter sido intencional ou ter causado agravamento relevante do risco que levou ao sinistro.

Em outras palavras:

  • Se o segurado, de forma dolosa, ocultou uma informação importante ou agiu de má-fé, ele pode perder o direito à indenização.
  • Se uma pequena desatenção do segurado, sem intenção, não aumentou significativamente a chance de ocorrer o sinistro, a indenização deve ser paga integralmente.

Exemplo prático:

Imagine um seguro de automóvel. Se o segurado não informou uma pequena modificação estética no carro que não afeta em nada a dirigibilidade ou o risco de roubo, e o carro é roubado, a seguradora não poderá negar a indenização por essa omissão.

Por outro lado, se o segurado, com a intenção de enganar a seguradora, declara que o carro é utilizado apenas para lazer quando na verdade é usado para transporte de carga (o que aumenta significativamente o risco), e o carro sofre um acidente em decorrência desse uso, a seguradora poderá negar a indenização.

Conclusão:

O artigo 963 busca um equilíbrio entre a proteção do segurado e a necessidade de preservar o caráter aleatório do contrato de seguro. Ele reforça a importância da honestidade e da transparência entre as partes, ao mesmo tempo em que garante que falhas meramente acidentais e não determinantes para o sinistro não prejudiquem o segurado em seu direito à reparação.